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CARTA ABERTA EM DEFESA DO DEBATE DEMOCRÁTICO E DACONSTRUÇÃO COLETIVA DA CARREIRA DOCENTE DA UEMS

há 1 hora
5 min de leitura

Frederico Fonseca Fernandes



Professoras e professores,


Após leitura e releitura da “Nota da Gestão Sindical sobre a mudança do PCC

e as negociações salariais”, publicada pela Diretoria da ADUEMS, em 30 de

setembro de 2026, prevalece um sentimento de consternação diante da postura

adotada por esta gestão sindical. Afinal, o que leva o sindicato a atuar contra

seus próprios filiados e filiadas, impedindo o debate efetivo, a construção

coletiva e, além disso, causando constrangimento público?


É de conhecimento de todos - pelo menos espera-se que seja - que houve

uma Assembleia Geral da ADUEMS em 15 de setembro de 2026 e nesta

assembleia, entre os pontos de pauta definidos, havia dois específicos: “2 -

Proposta de Tabela Salarial a partir do Piso Nacional” e “ 3 - Definição de

Carta-Compromisso para candidaturas nas eleições 2026”.


Neste dia, em “especial”, para minha surpresa e de mais alguns professores,

“democraticamente”, a diretoria propôs a limitação de tempo de fala sob a

justificativa de que se observou nas assembleias anteriores pessoas que

“extrapolam” o tempo, o que poderia acabar impedindo a participação e até mesmo

a desistência - talvez inexistência - de um debate democrático. O que me

surpreendeu não foi a proposta de “limitação de tempo de fala”, mas de ter sido

feita exatamente na assembleia em que sabidamente seria(m) colocada(s)

contraproposta(s) para o item 2 da pauta.


Isso mesmo! A diretoria da ADUEMS sabia que haveria, ao menos, uma

contraproposta à proposta da Tabela Salarial encaminhada aos filiados. Ao

longo da última semana que antecedeu a assembleia, divulguei uma proposta de

reestruturação da tabela salarial dos docentes da UEMS. Essa iniciativa é fruto de

mais de três anos de estudos, pesquisas e atuação nos Grupos de Trabalho do

sindicato voltados ao debate da Carreira Docente — incluindo o GT atual -, partindo

do PCC de outras IES Estaduais (UNEMAT, UEG, UEMA, UNESP, entre outras) e


das Orientações do ANDES (Deliberações do 15o CONAD Extraordinário - Diretrizes

Gerais da Carreira Docente). Compartilhei com professores mais próximos, com

o GT Carreiras e em grupos de professores que faço parte, pedindo para

compartilhar com outros mais e, além disso, convidando para participarem da

assembleia, do debate, como você pode observar nas ilustrações a seguir.


Por exemplo, no grupo de mensagens - Whatsapp - dos professores de Matemática, vivenciei um debate mais produtivo em relação aos GTs de Carreira dos últimos anos. Foi um espaço marcado por diálogo genuíno, contraditório respeitoso, análises criteriosas, reflexões e propostas concretas.
Por exemplo, no grupo de mensagens - Whatsapp - dos professores de Matemática, vivenciei um debate mais produtivo em relação aos GTs de Carreira dos últimos anos. Foi um espaço marcado por diálogo genuíno, contraditório respeitoso, análises criteriosas, reflexões e propostas concretas.

Um dos meus interlocutores neste grupo de mensagens foi o professor Lucélio. Foram trocados áudios, mensagens de texto, arquivos que foram e voltaram. Nos dias que antecederam a assembleia, estávamos pensando e construindo uma segunda contraproposta. Neste momento, a minha contraproposta inicial já havia sido vencida pela proposta resultante do trabalho coletivo junto ao professor Lucélio, afinal, houve confronto de ideias, de perspectivas e, consequentemente, aprimorada a partir do diálogo e do respeito, da colaboração e da cooperação. Em nenhum momento me senti, pessoalmente, vencido. Me senti parte integrante de um processo de construção que olha para o passado, para o presente e, principalmente, para o futuro da carreira de professores da UEMS.


Outras professoras e outros professores também colaboraram comigo neste percurso e se identificarão com o conteúdo desta carta. Estas e estes se farão presentes no momento de resgatarmos o que já iniciamos em um pequeno grupo, um pequeno coletivo de docentes - se assim posso identificar, afinal, não há sistematização desse trabalho. Esses professores estão apreensivos com uma carreira que se limita a apenas 3 níveis ao longo de 14 anos - para docentes que assumem seu concurso já com Doutorado - e depois disso, estagnação salarial. Aos docentes que possuem Especialização ou Mestrado, não há carreira, não há nada além do que o reajuste geral anual.


Mas a qual momento me refiro? O momento do debate, do diálogo, da construção coletiva, do enfrentamento dos problemas históricos que assombram e permeiam a carreira dos docentes da UEMS.


Ao longo de todo esse movimento, jamais defendi que este texto fosse a única ou a melhor proposta existente, muito menos que suas regras fossem definitivas e incontestáveis. Mas se vamos discutir a tabela salarial e, consequentemente, uma possível alteração do PCC dos docentes, temos que partir de algum lugar, de alguma proposta que foge a lógica de inércia, de estagnação, do famoso “sentar e simplesmente esperar”.


O que tenho pretendido ao longo dos anos, tentando fomentar uma discussão sobre o PCC, não é uma busca por culpados ou “remendos”. Não é uma busca por uma solução milagrosa que surge em um belo sábado de manhã após uma xícara de café. Não é a proposta de um ou de outro. É - fundamentalmente precisa ser - uma proposta construída coletivamente, colaborativamente, cooperativamente, exaustivamente. No entanto, o que mais ouço da atual e das diretorias anteriores é: este não é o momento, ou isso é um ponto sensível, ou precisamos amadurecer, ou qualquer outra desculpa que você possa imaginar.


Quando será o momento? Ninguém foi capaz de me dar uma resposta!


Há muito o que conversar, analisar, refletir, ponderar, projetar, simular, estimar… mas quando professoras e professores serão chamados ao diálogo, à construção, à proposição? Se não começarmos, nunca terminaremos e permaneceremos em uma plena satisfação de conformismo.


Ainda, faço uma breve observação referente aos trabalhos do GT Carreira em 2026. Recriado e reconstituído sob a gestão da atual diretoria, ao longo de 2026, realizou 3 (três) reuniões e 1 (uma) reunião aberta. No momento em que fui apresentar a minha proposta inicial, aquela que ainda não havia sido divulgada às vésperas da assembleia, fui prontamente rechaçado pela presidência da ADUEMS: “a base não quer discutir o PCC”, “a base não tem interesse em discutir o PCC”, “a base está em luta apenas pela reposição salarial”. Para pensarmos: quando a base soube de outras possibilidades para decidir que só queria aquela? Talvez pelas constantes viagens e reuniões da presidência da ADUEMS nas Unidades Universitárias, a base esteja se manifestando, mas todas e todos estão contentes e satisfeitos com o plano de carreira vigente e são provocados a pensar em outras possibilidades?


A reposição salarial é o ponto inicial e inegociável de qualquer tabela salarial que venha a materializar a carreira de docentes da UEMS, mas as demais propostas têm o mesmo espaço (democrático) para serem apresentadas em pequenos grupos de docentes? Qual é a possibilidade de apresentação e, principalmente, do contraditório, resultando na construção coletiva de uma proposta que venha a atender a expectativa de uma carreira, se outras propostas não têm o mesmo espaço (democrático) e logística para apresentação e diálogo? Afinal, me questiono, a proposta é da base ou é exclusivamente da diretoria? A assembleia aprovou a proposta da diretoria, então a base aprovou a proposta da diretoria em uma atividade puramente democrática: pelo voto. Mas qual é a base de filiados, em número total? Quantos participaram dessa votação? Quantos estão em busca e reivindicando melhorias para além da reposição salarial?


Esta carta não se encerra aqui. Esta carta é, verdadeiramente, um convite:


Professora e professor, se estiver filiado: participe das assembleias, afinal, as decisões afetam a sua vida e progressão profissional.


Professora e professor que não está filiado, FILIE-SE! Participe! Peço que acredite no trabalho organizado e conjunto, afinal, nosso salário, nossa carreira e nossa aposentadoria depende do diálogo democrático e da construção coletiva.



Dourados, 02 de outubro de 2026. 


Frederico Fonseca Fernandes


*Professor da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, associado à ADUEMS 


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